Notícias Fecomercio

10 de novembro de 2017

Carlos Kawall acredita que economia não “descola” da política e defende continuidade das reformas


“Há uma tese, com a qual não concordo, de que a economia brasileira teria se descolado da política. Isso não é verdade, os mercados não descolam da política”, diz o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall. Com passagem pelo BNDES como diretor financeiro, e pelo Tesouro Nacional como secretário, Kawall conversa com a jornalista Érica Fraga a convite do canal UM BRASIL sobre os rumos da economia nacional.

“O que temos hoje é um período de estabilidade política, com governabilidade e aprovação de reformas”, explica o economista. Segundo ele, há uma visão majoritária no mercado de que será eleito um presidente pró-reformas nas eleições do próximo ano. “Se, em algum momento, a evolução do quadro eleitoral sugerir que esse não é o caso, haverá uma mudança no humor do mercado. A continuidade das reformas é crucial”, explica, sobre a relação entre economia e política.

Em sua fala, Kawall observa também que, para o mercado financeiro, a economia brasileira já saiu da recessão. “Tivemos dois trimestres neste ano, o primeiro e o segundo, com crescimento positivo, o que tecnicamente é considerado a saída de uma recessão”, justifica. “Imaginamos que o crescimento vá continuar ao longo do segundo semestre de 2017 e prevemos um Produto Interno Bruto [PIB] de 0,6% em 2017 ano e de 2,5% no ano que vem”. Segundo ele, o resultado positivo será liderado, sobretudo, pela recuperação do consumo das famílias.

Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) no último dia 16 de outubro, os analistas preveem expansão do PIB de 0,72% neste ano. Para 2018, a projeção é de 2,5% de crescimento.

“A palavra ‘moderada’ me parece a que caracteriza melhor o ritmo dessa recuperação”, afirma o entrevistado. “De um lado, ainda temos um legado negativo do passado, o desemprego ainda é alto, as empresas estão bastante endividadas e o governo está fazendo uma política fiscal contracionista”, justifica. Ainda assim, segundo Kawall, o êxito na aprovação das reformas estruturais gerou condições financeiras favoráveis: por exemplo, a queda acentuada da taxa de juros, que cria um quadro também favorável para o mercado de capitais, uma vez que as empresas voltaram a emitir ações e títulos de renda fixa.

“O que garantirá que essa recuperação tenha uma velocidade razoável é justamente o êxito da combinação de uma política fiscal mais dura com reformas estruturais. Essa combinação gera uma rápida desinflação e uma queda da taxa de juros para níveis que vão chegar, no fim do ano, à mínima histórica de 7% ao ano”, afirma o economista. Assista a entrevista completa aqui.

 

Voltar para Notícias