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3 de outubro de 2017

Marta Arretche discute a trajetória da desigualdade social no País nos últimos anos


Dados do governo mostram que 98,9% das localidades terminaram 2015 com saldo negativo

“Estudos mundiais mostram que a concentração de renda no topo só cai em situações muito excepcionais, como guerras e epidemias”, afirma a diretora do Centro de Estudos da Metrópole e professora de Ciência Política da USP, Marta Arretche. Em entrevista ao UM BRASIL, ela comenta a desigualdade social e a influência das políticas públicas municipais e federais para reduzir as diferenças de renda no País.

Para Marta, o conceito de desigualdade é amplo e abstrato. Ela explica que, por isso, há duas interpretações para entender como a desigualdade social no Brasil mudou nos últimos anos. A primeira, segundo ela, é a de que a desigualdade está estável. “Essa abordagem se baseia em estudos que medem quanto o 1% mais rico extrai do conjunto ‘riqueza nacional’. Os dados são muito sólidos em mostrar que a renda do 1% mais rico está estável no Brasil”, destaca.

A segunda interpretação, de acordo com a professora, é a de que a desigualdade no Brasil caiu. “Essa visão se refere aos outros 99% dos brasileiros. O que tivemos no País, muito acelerado nos governos petistas e em outros, foi uma redução da extrema pobreza que ocorreu, de fato, a partir da implantação do Bolsa Família, e uma elevação do valor real do salário mínimo, que teve um impacto importante sobre setores menos qualificados do mercado de trabalho”, diz. Ela completa ainda que “houve um processo de inclusão importante, que reduziu a desigualdade, embora tenha também ocorrido num contexto em que o 1% mais rico manteve uma parcela importante da riqueza total”. Assista a entrevista completa aqui.

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